Apetece-me escrever... só por escrever. Sabem quando o caos irrompe, e a confusão parece apenas traduzível por sucessões de palavras, sem formas ainda não muito definidas, resultado de gestos que tentam encontrar sentidos? Não sei... acho que queria deixar uma espécie de desabafo...
Sabes, Dri, foi engraçado. Regressei ao teu blog, como faço sempre que tenho oportunidade, e descobri aquela pequenina adenda respeitante ao telemóvel... E decidi-me a escrever. Neste fim-de-semana, como não nos pudemos encontrar, acabei por passar uma tarde sozinha. E dei por mim a pensar na solidão, a aperceber-me do espaço que ocupa, do peso que tem. Dei por mim a pensar nas estratégias que inventamos para a contornar, para a tirarmos de cena... quando ela é, efectivamente, a personagem fantasma de qualquer dramatização de vida real...
Raras vezes estamos, efectivamente, sozinhos. Sem a obrigatoriedade de um trabalho a desempenhar, que nos securiza porque temos um objectivo assente a cumprir. Perante outrém. Sem a presença de um telemóvel, que nos mantenha na aliviante sensação de que, a qualquer instante, podemos estar com alguém. Sem a possibilidade de aceder à internet, na ilusão de que, tal como nós, há milhões de pessoas a executar, no mesmo instante, o mesmo gesto. Sem o conforto de um espaço seguro, que nos mantenha confortados por recolher recordações de pessoas e de momentos que nos são queridos...
Estarmos sozinhos assusta, ainda que essa solidão seja só por uma tarde. Porque a solidão ocupa espaço e pesa. Porque, de repente, é como se o nosso corpo ganhasse todas as dimensões que, de facto, tem, não se podendo diluir na troca de palavras, de afectos, de momentos.
Conheço tantas pessoas sozinhas, numa labuta incessante de escapar à solidão... Umas preenchem o tempo com vividos estéreis, outras inventam uma forma de vida onde o
diferente é preponderante, outras...
Não sei se conheço alguém que viva bem com a solidão. Eu não sou excepção...
Sabem? Ainda bem que estão aí... :)
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