É incrível o modo como a nossa vida transcorre para além do tempo definido pelo virar das páginas do calendário. E a forma como os diversos momentos, que dela fazem parte, ocupam espaços diferentes naquilo que somos... Há dias que deixam vazios, instantes que duram eternidades. E momentos que ocupam espaços muito para além do imaginável, e que são insubstituíveis, não obstante o tempo ou os acontecimentos da vida...
A história que aqui me trouxe, só se cruzou com as vossas cerca de um mês depois de ter começado. A minha dolce Siena... pedaço de nostalgia, guardado algures num esconderijo próximo... A rebeldia da decisão, o fascínio da chegada, as cidades contadas numa sonoridade diferente e geradora de enganos, encontros, risadas, magias... As pequenas rotinas que, rapidamente, começaram a fazer parte daquele quotidiano, o acordar rápido depois de uma noite curta, as aulas, a mensa, o bar, as conversas entabuladas recorrendo a mil e uma formas de comunicação... As pessoas, sempre as pessoas...
O tempo passou e o comboio parou numa estação cinzenta, num dia cinzento. Só três caras aguardando na plataforma - caras que, na altura, eu ainda não sabia serem de sol: vocês. Os dias seguintes permaneceram como o primeiro: cinzentos e molhados... como eu. Mas, aos poucos, fui começando a descortinar as cores da minha nova cidade, e o afecto surgiu, naturalmente. Com as pessoas.
O café na máquina (ou o chocolate quente com extra-açucar para alguém), os percursos de bici, os fins de noite na residência (desabafos, risos, desânimos, descobertas...), os matraquilhos, o Tutor e o Fishmarket, a birra, a sangria e o martini, os amigos... E as viagens, amigas? Os preparativos, il treno (10 horas no corredor... ou um napolitano incansável?), os lugares, as fotografias – muitas! - , as refeições (sandes de atum e biscoitos de cão), as descobertas (Positano...), o reencontro com os amigos, as noites (vai um botteglione no Coliseu?), o espanto (Pisa... a torre é mesmo torta!!). E tanto mais. No regresso, o cansaço tombado sobre as malas, e um sorriso a pender de um rosto já de os olhos fechados, a querer dormir...
Pois é, minhas amigas... Iniciamos este blog com recordações. Aqueles momentos que ocupam mais espaço... e aos quais nos recolhemos tantas vezes, não é, Dri? Mas as recordações partilhadas, essas... são as melhores. Que bom é poder ter-vos aqui! *
3 comentários:
Olá amigas!:)
Adorei o teu texto Ritinha! Tens uma maneira linda de escrever... E fizeste-me recordar tanta coisa linda...
Neste momento o que eu mais queria...ou precisava...era regredir no tempo, e ir parar ao paraíso que era Padova...longe de tudo e de todos!
Sempre fui contra o "fugir" da vida, das pessoas, das situações...mas neste momento sinto-me a maior cobarde do mundo, e o que mais quero é fugir para longe....
Mas também nunca ninguém me disse que era fácil viver...*
Acho que compreendo bem o que sentes... Sabes? às vezes acho que essa vontade de fugirmos assim, às vezes, é a única alternativa que conseguimos encontrar para conseguirmos chegar mais perto de nós mesmos...
Bem... ainda bem que, em breve, vamos poder estar juntas...
Baci :)
É isso Ritona..
Há momentos em que nos devemos esquecer do mundo, e nos centrarmos em nós mesmos...procurar as respostas dentro de nós...sem nos deixarmos afectar por todas as variáveis que na nossa vida não nos deixam ser Nós mesmos...E são tantas!
O que os outros esperam que sintamos, que façamos, a imagem que têm de nós... e a nossa vontade de estar à altura de todas expectativas...tarefa impossível!Mais! Tarefa à qual não nos devemos render...mas à qual nos rendemos, numa tentativa idiota de fazermos os outros felizes, tentanto que no final sobre alguma felicidade para nós mesmos...
Enviar um comentário