02 fevereiro 2006

"Kalimera!..."


Que privilégio inesperado o de poder estrear as páginas do livro de viagens de 2006!... :)

Gostaria de enchê-las de cores, sons e perfumes... gargalhadas fáceis e palavras novas... encantos...
... e deixar-vos, também, com um brilhozinho nos olhos.



Estão prontas para folhear o livro? Opa... Já está... Uma primeira página inteiramente preenchida por pontinhos claros... uma vastidão de casas que, à distância, se misturam, acabando por tropeçar em montanhas cheias de neve... Quando finalmente nos reencontramos, vagueamos pelas ruas onde pequenas árvores nos abrem o apetite, tentando-nos com pequenas bolinhas de cor laranja... Será pecado desejar na terra dos deuses?... ;)

A acrópole espera-nos, tal como esperou os que chegaram antes de nós e esperará os que hão-de vir. Sem pressa. Silenciosamente, na imponência da sua majestade, cobre-nos com os ventos do tempo... e quase sentimos a presença de gentes de outrora entre os turistas de máquina fotográfica que tentam, sem sucesso, captar numa imagem a alma de um lugar...

Num passe de mágica, percorremos 170 Km de terras montanhosas e atiramos bolas de neve que despertam sorrisos em rostos com sono. Protegido por montanhas e vales a perder de vista, o oráculo de delfos acolhe quem, uma vez mais, o procura. Já não há fumos convertidos em palavras para aplacar angústias e guiar destinos. Mas o corpo responde aos apelos dos sentidos e, sentados sobre os muros, contemplando terra e céu, percebemos que, num lugar assim, só é possível... acreditar!... :)


A tarde arrefece o corpo, mas as cores que o céu promete incitam a continuar. Sentamo-nos num café e logo nos trazem um copo de água. Pedimos um café grego, e é inevitável um esgar depreciativo. Mas vá. Bebe-se todo. Faz parte do lugar. As ruas estão cheias de gente que passeia, semeando pressas ou vagares. Aqui e ali, charlatões atraem curiosidades, e mais um turista foi enganado com o truque das três cartas. À porta das lojas, o sol brinca nos postais e o olhar perde-se entre as réplicas de cerâmicas, as pantufas e os sabonetes de azeitona. Impossível resistir...
Ao jantar, a mesa enche-se de água, vinho e pão. No caderno da escola primária onde alguém escreveu a ementa, caracteres indecifráveis escondem sabores que deliciam os sentidos. A terminar, iogurte com doce de cereja e bolo de canela e mel. Um manjar dos deuses.



Cai a noite e o livro chega ao fim. Contrariando a força da gravidade, levantamos voo. Do cimo das nuvens, as casas não são mais do que pontinhos de cor. De que tamanho ficarão as preocupações?









(Pronto, a história acabou. Já podes dormir. Ah!... mas deixa o livro em cima da mesinha de cabeceira. Bem perto, a vigiar o teu sono. Para que o possas ver com frequência e não te esqueças de que podes sonhar.)

1 comentário:

Joanight disse...

:)
pq os sonhos se podem tornar realidade..

ps:iogurte com doce de cereja e bolo de canela e mel..os gregos souberam mm como agradar-t! :p