É impossível não o sentir. Caminhando nas ruas, o porte eleva-se-nos, como se fossemos tomadas pela elegância que se respira. Viena é assim: elegante, imponente, culta. Juntamo-nos à fila de gente que se prepara para comprar os bilhetes para a standing area, naquela que é uma das três mais importantes óperas do mundo. Custam 2€ ou 3,5€, de acordo com o lugar. De calças de ganga, cruzamo-nos nos corredores com cavalheiros de smoking e damas de vestido de gala, que irão ocupar os postos centrais. Deixamos o cachecol amarrado às colunas, a reservar lugar, e saímos de novo, marcando o tempo até que a ópera comece. Rendidas com "La bohème", regressamos noutras noites para "Nabucco" e "La Traviatta".
E maravilhamo-nos. Com a Stephansdorm, os jardins do Schobrum, os quadros no Belvedere. Tiramos a foto da praxe na casa de Mozart e visitamos a casa-museu de Freud. Na segunda semana, as praças ficam cobertas de casinhas de madeira com artesanato e decorações de Natal. As ruas enchem-se de gente, que bebe punch para aquecer. E as luzes brilham com uma certa tranquilidade, numa espécie de alegria calma.
Como um hot dog delicioso e aprendo que farmácia se diz "apotheke". Num dia livre, viajamos até Bratislava. No fim-de-semana, rumamos a Praga. Na segunda-feira, retomamos o nosso dia-a-dia, continuamos as visitas às instituições, recuperamos os pequenos gestos, as pequenas rotinas, num quotidiano reconhecido...
Foram duas semanas, mas diria terem sido mais. Na hora do regresso, cheias de sacos de compras, apanhamos uma vez mais o metro para escapar ao frio. Saímos em Karlsplatz e cruzamo-nos com semblantes escuros, dos quais nos afastamos instintivamente. O frio volta a apertar à saída da estação, mas é momentaneamente cortado pela habitual voz rouca do guitarrista com tez latina. Passamos a faculdade de engenharia, o Billa (o supermercado do bairro), a estranha mercearia que vende quase exclusivamente laranjas da sicília e a agora também natalícia loja erótica. No número 7 da Margarethenstrasse, alguém escreveu "Liebe" a tinta vermelha. A chave roda na fechadura, e ao entrar, inevitavelmente, procuramos os rostos emoldurados de Wolf e Mahler, nossos vizinhos em tempos distintos. O elevador leva-nos ao entrepiso entre o 4º e o 5º andares. Numa das primeiras vezes em que o abrimos, cruzámo-nos com um homem que trazia com ele dois copos e uma garrafa de champanhe. As portas dos apartamentos têm tamanhos e cores distintas; umas têm vasos à porta, outras ostentam autocolantes de compreensão apenas inteligível para o propritário. A julgar pelas letras que figuram na porta do lado, quase de certeza que os nossos vizinhos são árabes.
Digitamos o código e a porta abre-se. E somos acolhidas pelo quentinho bom. As malas estão quase prontas, a planta transformada em árvore de natal já recuperou a identidade original e as bolas e pais natais de chocolate que a ornamentavam já foram distribuídos entre nós. A custo, pegamos nas malas, dividimo-nos pelo elevador, comentamos pela milionésima vez o receio de ter peso a mais. Ainda bem que os pensamentos, sentimentos e memórias não são passíveis de contabilizar na balança...
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3 comentários:
:)
e agora so falta ver as fotos!
Ai, a minha inveja é lixada!
Lolol =) =) =)
Joanita, as fotos é que vão ter de esperar... o meu portátil zangou-se comigo por ter estado longe e pifou =(. Assim que fizermos as pazes eu trato disso ;)
Beijooooooo!!!...
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